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RESSONÂNCIAS AFETIVAS - Um Conto Espírita

Eram dezenove horas e trinta minutos de uma segunda-feira. Nada, até aquele momento, fazia com que ela suspeitasse da mudança programada para sua vida. Entrava tranqüila em uma sala de aula de uma casa espírita que freqüentava há anos, no bairro onde morava. O curso que ia fazer já havia começado e por motivos pessoais não conseguira iniciar junto com a turma. A expectativa em qualquer início de atividade de estudo é sempre normal. Quem seria o expositor? Entrou calma. Ele estava de costas. Cumprimentou-o com um alegre "olá" e ele virou-se. Dois profundos olhos azuis a fitaram e, como se um furacão lhe varresse a mente, se perguntou: "De onde o conheço?" Tinha certeza absoluta de nunca tê-lo visto, pois certamente não esqueceria aqueles olhos. E ele sorriu. A fisionomia se completava e ao invés de serenar seu coração parecia, naquele momento, que o mundo parava.

FÁBULA SIMPLES

Quando o diamante já talhado se abeirou da pedra preciosa, saída de cerro áspero, clamou, irritadiço:
― Que coisa informe! Rugosidades por todos os lados!… Que farei de semelhante aborto da Natureza? E roçou, com superioridade, sobre a pedra bruta. A pobrezinha, mal saída do solo em que dormira por milênios, sentindo-se melindrada, tentou reclamar; entretanto, ao observar o clivador, cheio de esperança na utilidade que ela podia oferecer, calou-se. Findo o dia, o operário recebeu o salário que lhe competia e contemplou-a, tomado de gratidão. A pedra intimamente compensada, esperou. No dia seguinte, veio o martelo cônico e, desapiedado, riu-se dela, exclamando: ― Nariz de rochedo, quem teria o mau gosto de aperfeiçoar-te? Porque a infelicidade de entrar em comunhão contigo, seixo maldito? O cristal sofredor ia revidar, mas vendo que o trabalhador, que mobilizaria a massa contra ele, o mirava com enternecimento, preferiu silenciar, entregando-se paciente à nova operação de lapidagem.