Eram dezenove horas e trinta minutos de uma segunda-feira. Nada, até aquele momento, fazia com que ela suspeitasse da mudança programada para sua vida. Entrava tranqüila em uma sala de aula de uma casa espírita que freqüentava há anos, no bairro onde morava. O curso que ia fazer já havia começado e por motivos pessoais não conseguira iniciar junto com a turma. A expectativa em qualquer início de atividade de estudo é sempre normal. Quem seria o expositor? Entrou calma. Ele estava de costas. Cumprimentou-o com um alegre "olá" e ele virou-se. Dois profundos olhos azuis a fitaram e, como se um furacão lhe varresse a mente, se perguntou: "De onde o conheço?" Tinha certeza absoluta de nunca tê-lo visto, pois certamente não esqueceria aqueles olhos. E ele sorriu. A fisionomia se completava e ao invés de serenar seu coração parecia, naquele momento, que o mundo parava.