Você passou por mim com simpatia, mas quando viu meus olhos parados, indagou em silêncio por que vagueio pelas ruas. Talvez por isso apressou o passo e, ainda que eu quisesse chamar, a palavra desfaleceu na boca. É possível que você suponha que eu desisti do trabalho, no entanto, ainda hoje, bati de porta em porta, em vão... Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar o pão, como se a madureza do corpo fosse condenação à inutilidade. Outros, desconhecendo que vendi minha melhor roupa, para aliviar a esposa enferma, me despediram apressados, crendo que fosse eu um vagabundo sem profissão. Não sei se você notou quando o guarda me arrancou da frente da vitrine, a gritar palavras duras, como se eu fosse um malfeitor vulgar. Contudo, acredite, nem me passou pela mente a déia de furto. Apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçar com fome, quando retorno à casa. Talvez tenha observado as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando que eu fosse um bêbado, porq…
Boa noite!! Parabens.. trabalho maravilhoso.
ResponderExcluirvera portella