30/10/2012

Tu tens um medo


Lá fora
Tu tens um medo: acabar.
Não vês que acabas todo dia?
Que morres no amor; na tristeza;
Na dúvida; no desejo.
Que te renovas todo dia
No amor; na tristeza;
Na dúvida; no desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
*   *   *
Cecília Meirelles nos faz pensar sobre esse medo imenso que ainda nos assusta: desaparecer, acabar, morrer.
Alguns nem falam sobre o tema, por insegurança psicológica, como se falar ou não sobre esse fato natural, evitasse alguma coisa.
Lidamos com a morte diariamente, querendo ou não refletir sobre ela.
Alguns pensadores chegam a dizer que morremos um pouco todos os dias, ou ainda, que desde o instante de nosso nascimento já estamos caminhando rumo ao fim certo.
Parecem constatações um tanto drásticas, se nos ativermos apenas à letra dura e objetiva.
Quando, enfim, entendermos que a morte como destruição, como fim definitivo, não existe, quem sabe esse temor comece a ceder um pouco.
A morte precisa ser entendida como renovação, como final de uma etapa e início de outra.
Lidamos com isso na vida hodierna, convivendo com o fim de tantas coisas, de tantos sentimentos, de tantas fases da existência, e logo depois, o início, a renovação, o renascer.
O nascer, morrer e renascer faz parte da natureza, e já temos maturidade suficiente para começar a conviver com esses fenômenos com maior naturalidade.
Em cada novo existir, embora com outro corpo, outra realidade, outra persona, somos o mesmo: o mesmo Espírito, a mesma essência, que retorna para continuar, seguir adiante.
Nascemos e renascemos para crescer, para aprender a amar e pensar, até que chegue o dia de não mais termos medo de morrer, e assim nos compreendermos como eternos.
O eterno que não tem fim, e que vive como quem é imortal.
Não basta saber-se eterno. Faz-se necessário viver como tal.
Viver no mundo sem ser do mundo.
*   *   *
Que possamos ter essa certeza no coração, e que o medo vá embora um pouquinho a cada amanhecer, pois a manhã é a morte da noite.
Plantemos, sabendo da colheita certa mais à frente.
Colhamos, olhando para trás e aprendendo com o passado educador, que já não é mais, mas que formou o que hoje somos.
Tu tens um medo, escreve a poetisa inspirada: acabar.
Que esse medo possa desaparecer de nossa vida aos poucos, tendo a certeza de que fazemos parte de um universo com leis perfeitas, criado e coordenado por um Pai amoroso, que deu a Seus filhos o presente da Imortalidade.
Que nos renovemos todos os dias, que sejamos os mesmos, mas que as atitudes sejam outras, mais felizes, mais maduras.
Amemos mais e nos eternizemos no amor.

Redação do Momento Espírita com citação do poema Tu tens
um medo, de Cecília Meirelles, do livro Antologia poética, ed. Record.
Em 29.10.2012.

Um comentário:

  1. Olá Mynda e Raphael, lindo texto sobre o medo da morte, esse é um grande tabu, muita gente tem até medo só de falar. Enquanto as pessoas não encararem a morte como um processo pacífico e natural, vão viver sempre com a angústia desse medo e isso é que não é nada natural, mesmo.
    Hoje aqui comemora-se o Samhain, que entre outras coisas representa a morte do Deus conífero e a entrada na época fria do inverno. Mas sem a morte, não poderia existir o renascer, não é mesmo? Pois a morte dá sempre origem a um novo renascer, esplendoroso e cheio de energia.
    Adorei o seu post de hoje.
    Por aí votos de um Próspero e Auspicioso Beltane, que não é mais do que o vosso Renascer aí, no hemisfério Sul.
    Beijinhos de Luz!
    Ana Maria

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