17/07/2012

Pessoas e potes de geléia

Pessoas e potes de geléia
Transformamos as pessoas em potes de geleia. 
Sim, toda vez que julgamos precipitadamente, que criamos rótulos, estamos comparando as pessoas a objetos. 
Objetos podem, muitas vezes, ser facilmente explicados, descritos, compreendidos. Basta um desenho, um esquema, ou algumas palavras e está tudo resolvido. 
Ficaram famosos os jogos de mímica, nos quais os oponentes precisam adivinhar uma palavra, uma frase, através da compreensão dos gestos do outro. 
O problema está quando desejamos usar esta nossa habilidade de descrever rapidamente alguma coisa, no convívio com as pessoas. 
Pessoas são Espíritos, almas complexas, de realidades múltiplas e possibilidades infinitas. 
Avaliá-las com superficialidade é desrespeitá-las em sua essência divina. O grande escritor russo Léon Tolstoi, afirma que um dos nossos preconceitos mais comuns e disseminados, é o de que cada pessoa tem uma característica fixa. 
Segundo ele, tal preconceito faz com que existam apenas pessoas boas ou pessoas más; pessoas inteligentes ou pessoas estúpidas; pessoas frias ou pessoas quentes. Aí começam os rótulos. Muitas vezes, com o objetivo de simplificar, nós empobrecemos e menosprezamos as pessoas. Até nossos hábitos de linguagem precisam ser revistos, pois muitos deles já nos acostumam ao rótulo fácil. Você lembra de Fulano de tal? – Não, não lembro. – responde o outro. 
Aquele magrinho com nariz pontudo, lembra? Ah, sim, claro, agora lembrei! Pois aí está o embrião do vício dos rótulos. Pode ser uma observação sem maldade, que apenas ajude a lembrar mais facilmente das pessoas, mas, por vezes, já desenvolve em nós esta prática desagradável. 
Mais um pouco e estamos no nível de observações como: Beltrano é falso mesmo. Cuidado com o que ele diz! Obviamente que podemos identificar as dificuldades das pessoas. É algo comum da vida de relacionamento. Mas, avaliar toda uma personalidade, todo o universo de um Espírito encarnado, e resumi-lo em uma frase, em um rótulo, é pequeno e simplista demais. 
Além de ser desrespeitoso. Aplicando um rótulo a alguém, principalmente os negativos, estamos dizendo que ninguém é capaz de mudar, de crescer. Estamos dizendo que a pessoa é assim e pronto. Chegamos a aplicar rótulos a nós mesmos, por vezes. 
Colamos na testa um adesivo dizendo: Sou teimoso. Não pense em vencer qualquer discussão comigo. É uma auto-rotulagem, uma expressão de acomodação perante uma
imperfeição, da qual, muitas vezes chegamos a nos orgulhar. Até mesmo os rótulos positivos são preocupantes. Quando, por exemplo, aquele amigo que carregava em sua fronte o rótulo de bonzinho, faz conosco algo que mostra uma característica oposta a essa, vem a decepção.
Nunca esperava isso dele ou dela... – expressão típica de quem não conhece o outro em profundidade, e que preferiu ficar na superficialidade da rotulagem. Todos ainda somos almas sendo automoldadas a todo instante. 
Nem temos imperfeições fixas, eternas, que ficarão para sempre conosco, nem virtudes em grau de excelência, que não nos permitam o equívoco em situação alguma.

Lembremos: rótulos são para potes de geléia, e não para pessoas. 

Redação do Momento Espírita, com citação de Léon Tolstoi, extraída do livro Pensamentos para uma vida feliz, de Tolstoi, ed. Prestígio, 1999. Em 29.04.2008.

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Refletindo ...


"NUNCA JULGUE,
APENAS COMPREENDA :
"RESPEITAR AS OPINIÕES DO OUTRO,
EM QUALQUER ASPECTO E SITUAÇÃO,
É UMA DAS MAIORES
VIRTUDES
QUE UM SER HUMANO PODE TER."