01/05/2012

Amor conjugal


O grande rei dos persas, Ciro, durante uma de suas campanhas guerreiras, dominou o exército da Líbia e aprisionou um príncipe. 
Levado à presença do conquistador ajoelhou-se perante ele o príncipe, e assim também os seus filhos e sua esposa. Os soldados vencedores, os generais da batalha, ministros e toda uma corte se juntou para tomar conhecimento da sentença real. 
O rei persa coçou o queixo, olhou longamente para aquela família à sua frente, à espera de sua decisão e perguntou ao nobre pai de família: 
Se eu te disser que te concederei a liberdade, o que poderias me oferecer em troca? 
Rapidamente respondeu o prisioneiro: 
Metade do meu reino. 
Ciro continuou, paciente, a interrogar: 
E se eu te oferecer a liberdade dos teus filhos, que me darás? 
Ainda rápido, tornou a responder: A outra metade do meu reino. 
Calmo, o conquistador lhe lançou a terceira pergunta: 
E o que me darás, então, em troca da vida de tua esposa?  
O príncipe sentiu o coração pulsar rapidamente no peito, parecendo arrebentar a musculatura. O sangue lhe subiu ao rosto, as pernas fraquejaram. 
Reconhecia que, no anseio da liberdade dos seus, tinha oferecido tudo, sem se recordar da companheira de tantos anos, sua esposa e mãe dos seus filhos.  
Foi só um momento mas, para todos, pareceu uma eternidade. Um sussurro crescente tomou conta do ambiente, pois cada qual ficou a imaginar o que faria agora o vencido. 
Após aquele momento fugaz, ele tornou a erguer a cabeça e com voz firme, clara, que ressoou em todo o salão, disse:  
Alteza, entrego a mim mesmo pela liberdade de minha esposa. 
O grande rei ficou surpreso com a resposta e decidiu conceder a liberdade para toda a família. 
De retorno para casa, o príncipe tomou da mão da esposa, beijou-a com carinho e lhe perguntou se ela havia observado como era serena e altiva a fisionomia do monarca persa. 
Não, disse ela. Não observei. Durante todo o tempo os meus olhos ficaram fixos naquele que estava disposto a dar a sua própria vida pela minha liberdade. 
* * * 
Para quem ama, não há limites na doação. Quando dois seres se amam verdadeiramente dão origem a outras vidas e as alimentam, enquanto eles mesmos um ao outro sustentam, na jornada dos dissabores e das lutas.  
O amor conjugal é, dentre as formas de amor, um dos exercícios do amor que requer respeito, paciência e dedicação. Solidifica-se através dos anos. E tanto mais se aprofunda quanto mais intensas se fazem as lutas e as conquistas de vitórias. 
Para os que se amam profundamente não há lutas impossíveis, não existem batalhas que não possam ser vencidas. 
* * * 
Em todos os departamentos do Universo existe a mensagem do amor, que é o estágio mais elevado do sentimento. 
O homem somente atinge a plenitude quando ama. Enquanto procura ser amado, sofre infância emocional. 
Por isso, o importante é amar, mesmo que não se receba a recíproca do ser amado. O que é essencial é amar, sem solicitação.

Autor:
Redação do Momento Espírita com base no conto Olhando só para ele, do livro Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan, ed. Record e pensamentos finais do cap. 2 do livro Convites da vida, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal

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