22/03/2012

Sem nome ...


Sem nome ...
Por que o café ainda não foi servido? -  Pergunta, um tanto irritado, o empresário, sentado em sua confortável poltrona, às 9 horas da manhã.
A secretária responde meio assustada:
Então o senhor não sabe? Dona Margarida morreu ontem à noite.
E quem é a Dona Margarida? - Pergunta o patrão.
Dona Margarida era a copeira que lhe servia o café todos os dias, há quase 8 anos.
Ah, e ela se chamava Margarida?
Sim, responde prontamente a secretária. Mas o senhor não se preocupe que logo seu café será servido, pois outra copeira já está sendo providenciada.
O que aconteceu com esse empresário, acontece com boa parte dos homens de negócios com relação a essas pessoas sem nome que os servem com dedicação, diariamente.
Elas chegam antes de todos. Tomam as primeiras providências para que, ao chegar o patrão, tudo esteja em ordem e elas possam atender com rapidez.
São criaturas anônimas que cumprem a sua tarefa humilde e, além do salário no final do mês, recebem apenas ordens e broncas.
Mães que, por vezes, carregam grande amargura em seus corações dilacerados pelos filhos-problema, sem que ninguém se interesse por suas dores.
Outras vezes, suportam um marido alcoólatra, sem receber, sequer, uma palavra de esperança daqueles a quem servem com dedicação.
Assim como a copeira, há outros tantos sem nome, dos quais depende boa parte dos serviços realizados no dia-a-dia.
É o porteiro que sempre está no seu posto. O ascensorista que desce e sobe horas a fio, tantas vezes mergulhado em suas dores íntimas, sem que nenhuma das centenas de pessoas que ele leva e traz lhe pergunte, com interesse, sobre a sua família.
É o office-boy, quase sempre jovem ou adolescente que trabalha de sol a sol para ajudar no sustento da família e que, nos seus verdes anos, aprende a conviver com a indiferença daqueles a quem serve.
A faxineira, que mantém tudo limpo, ganha bronca daqueles que não querem ser incomodados durante o expediente e, muitas vezes, adentra a noite para fazer seu serviço sem perturbar ninguém.
É o jardineiro, que quase é confundido com a própria paisagem, tantas vezes com terra até nos cabelos.
Essas criaturas são pessoas sensíveis à dor e às boas emoções.
Um olá, um bom dia ou boa tarde, acompanhados de um sorriso sincero, pode fazê-las muito felizes e ajudar a mudar a sua paisagem íntima.
São seres humanos lutando com dificuldade para prover o sustento com honradez.
Uma gentileza não custa nada e ajuda muito, a qualquer pessoa.
Saber seu nome, interessar-se pela sua situação, amenizar as suas dores, se for possível, não maculará a nossa posição, pelo contrário, nos eleva diante de Deus, Criador de todos nós.
Talvez alguns pensem que fazendo isso perdem a autoridade, mas é bom lembrar que a verdadeira autoridade não se expressa com a indiferença.
Abraham Lincoln se importava tanto com seus soldados a ponto de estar junto deles sempre que possível e foi um dos Presidentes americanos mais respeitados.
*   *   *
 As pessoas que estão à sua volta, não estão aí por ordem do acaso.
Há, perante as Leis Divinas, uma razão muito especial para elas estarem sob os seus cuidados e sob a sua autoridade.
Por essa razão, preste atenção em todas e verá que elas o observam e lhe seguem o exemplo, mesmo que, para você, elas sejam apenas pessoas sem nome.

Redação do Momento Espírita.
Em 18.01.2010.

2 comentários:

  1. Toda ação gera uma reação! Parabéns pelo texto maravilhoso, com sempre! Meus lindos, tem selo de amizade lá no blog! Abraço carinhoso!
    Elaine Averbuch Neves
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