24/11/2011

Do Livro Vitória - Chico Xavier

MENSAGEM I

 Milton Higino de Oliveira

Querida Mamãe, meu pai, abençoe-me.
A emoção ainda é grande.
Tão grande que me senti quase incapaz de escrever como desejamos.
Lembranças mais vivas de tudo e de todos.
Ânsia de trabalhar com mais segurança no auxílio a todos os corações que amo tanto.
Ainda assim, é preciso conformar-me e seguir adiante com as possibilidades que disponho.

Creia porém, Mamãe, que suas vibrações de paz e coragem ainda são o meu apoio.
Às vezes, vem a insatisfação, a tristeza aparece, o desânimo ameaça e a luta por dentro de mim se intensifica.
No entanto, vejo-a sempre atenta ao menor sinal de desalento em mim, a chamar-me com suas preces.
“Bom ânimo, meu filho! Confiança em Deus!”
Ouço-a pela acústica do pensamento e me levanto, espiritualmente, de novo.
Meu avô Manoel me convida à firmeza, e outros amigos me auxiliam a erguer as energias de dentro para caminhar.
Caminhar fazendo o possível por beneficiar a outros.
Tarefa difícil.
Remover as cinzas dos corações alheios que se acreditam vencidos e guardam a idéia de desertar.
E eu que ando na condição de necessitado de energias, devo falar de resistência e de fé a esses mesmos irmãos cuja vontade periclita, como que balançando entre os propósitos de viver e morrer.
Aqui, segundo observo, o nosso engajamento em serviço começa habitualmente por onde terminamos a nossa atuação na experiência humana.
Somos induzidos por nossos instrutores a colaborar em favor daqueles que sofrem de nossos próprios males – os males que se fizeram veículos de nosso regresso.
Quem passou na escola das provações por determinados erros, são os que conseguem mais força para sustentar aqueles que se encontram, no mundo, quase caindo nas mesmas falhas, cujos efeitos conhecemos.
Felizmente, consigo trabalhar um tanto mais, agora que minha readaptação à Vida Espiritual se vai consolidando...
Devo seguir os amigos a quem a idéia de fuga vai formando corpo, a fim de que se desvencilhem dessas sombras que, sem auxílio de outros, acabam ás vezes, por dominar.
Não posso dizer que sofro, senão em mim próprio com as conseqüências do fato que eu mesmo devia evitar.
Amizades se multiplicam, e tarefas se ampliam sempre, mas, no íntimo, aquele desejo de corrigir a costura dos dias em que me acompanha a imaginação...
Procuro agir e melhorar-me, no entanto, sempre criando em mim a intenção de voltar à escola para reaprender as lições.
A querida vó Hipólita me explica que isso levará muito tempo, ainda...
É preciso recriar minhas forças, trabalhando, e por isso peço aos meus me ampararem ainda, com as energias necessárias.
Hoje, penso que uma prece em favor de alguém que se ache na Espiritualidade é uma espécie de empréstimo de recursos para que nossa carência de forças diminua, ou desapareça, até que possamos retornar a normalidade.
Isso, Mamãe, é a explicação do meu caso particular.
Creiam todos, porém, que os empréstimos de energia que me fazem dão para equilibrar a situação, na qual me vejo em trânsito para o melhor a ser alcançado.
Não julgue, Mamãe, que me aprisione ainda a objetos e pequenas disponibilidades da Terra.
Pudesse eu haver deixado bastante material para ser aproveitado por outros e estaria mais feliz.
Para a minha responsabilidade, deixei mais lágrimas e preocupações do que qualquer outra coisa, e esteja convencida de que sua bondade de mãe não lhe deixa ver isso.
Para os pais, os filhos simplesmente são tesouros que largam tesouros pr onde passam...
Mas eu sou filho e sei quanta inquietação lhe impus em família.
Peço a Deus para que nosso querido Nelson e nossa querida Ipe sejam doadores de bênçãos aos pais que por mim tanto fizeram...
Estou, felizmente desculpado, e isso me encoraja a devolver em serviço aos companheiros necessitados de paciência e esperança parte da dívida a que me reconheço ligada para com a família querida que me viu nascer...
Muito grato por todas as dádivas que recebo diariamente de todos – dos pensamentos amigos, das lembranças, das orações, das flores que me parecem antenas de saudade e de amor transmitindo mensagens silenciosas de amor e saudade entre nós.
Estou reconfortado e agradecido.
Vovó Hipólita lembra à senhora e à tia Carmem o cuidado com a saúde, e afirma que vem colaborando em apoio da vovó Dolores, nos idas que vão passando.
Estamos todos nos desígnios de Deus e devemos esperar o melhor da vida, porque tenho aprendido e tenho visto que a Providência Divina somente nos fornece o melhor para nós.
Deus nos concede sempre o bem e o uso desses bens sô Eterno Bem, na forma de nosso emprego, pertence a nós.
Meu abraço a todos, com meus votos para que o Papai continue forte e tranqüilo.
Mamãe, estou muito agradecido ao seu carinho constante, em que estamos os dois naquele sistema de falar pouco nos assuntos desagradáveis e meditar muito, com respeito a eles.
Dos amigos, recebo as recordações de quando em quando, mas virá o dia em que todos nós nos reuniremos de novo.
Agradeço muito as preces e vibrações de paz que me ofertaram, nesta noite.
Deus me fará merecedor de tanto amparo.
Papai, o vô Manoel me recomenda dizer-lhe que continue trabalhando para o benefício da vovó Octávia.
E assim, todos seguimos bem, porque todos buscamos o melhor com a benção de Deus.
Mas sei, conforme disse, que isso me exigirá muito tempo ainda.
Sem especificar nomes, gravo aqui lembranças de todos e para todos os nossos.
Recebam meu próprio coração em forma de agradecimento.
Querida Mamãe, sinta minha presença alegre a tartear-lhe os cabelos e guarde com o Papai o amor e a graditão de todos os dias, com muitas saudades e esperanças do filho que sempre grato, sempre cada vez mais reconhecido,
Milton.

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